segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Elspeth, Os Libertadores do Pensamento, Isobelle Carmody

"Senti uma ondulação no tecido da mente adormecida de Maruman. Inexplicavelmente, sabia que estava no interior dos seus sonhos. Fui mais fundo ainda. De novo, murmurei o seu nome...


Desde que tomou posse de Obernewtyn, a comunidade de Inadaptados floresceu em segredo, ao abrigo da sua localização remota e isolada.O novo Senhor de Obernewtyn preside a um conselho de Irmandades que reúne os representantes de vários Talentos: subjugadores, curandeiros, videntes, perscrutadores, encantadores e a enigmática Irmandade do Engenho empenham-se em desenvolver os seus dons reprimidos, preparando o confronto inevitável com o Concelho Tirânico que governa a Terra. Enquanto planeiam libertar um poderoso Inadaptado que vive no outro extremo da Terra, uma vidente prevê que o destino de Obernewtyn depende desta nova missão. Guiada por Elspeth Gordie, mestre da Irmandade dos Perscrutadores, a expedição mergulha nos escombros do velho mundo, em caminhos banidos dos mapas e na vertigem do conhecimento proibido. Elspeth terá de socorrer-se do seu extraordinário poder mental para enfrentar os perigos que ameaçam comprometer a expedição e conduzir à queda de Obernewtyn. Mas aguarda-a, ainda, um outro desafio: localizar as máquinas da morte e impedir uma segunda era de destruição. Elspeth, prepara-se, em segredo, para esta viagem sombria, sabendo que nela se centram as esperanças e profecias dos mais sábios entre os sábios."


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 336
Editor: Bertrand Editora
P.V.P.:  19,90 €



Um pouco à semelhança do que sucedeu quando li o primeiro volume das Crónicas de Obernewtyn (ver opinião aqui), a leitura deste livro empolgou-me bastante. Com uma escrita bastante simples, acessível para todos os géneros de leitores, e uma originalidade incrível, foi uma leitura que nunca se tornou cansativa ou monótona. 
Não escondo que adoro todo o género fantástico, no entanto muitos são os livros que leio neste género e que se tornam algo aborrecidos de tão idênticos os temas abordados; mas a autora destaca-se pela originalidade de todo o seu argumento, abordando temas que não nos são assim tão desconhecidos - as guerras, o desaparecimento de um mundo tal como o conhecemos, a tirania, e todo um complexo de regras que governam as sociedades de forma cruel e injusta - e juntando elementos originais, que tornam os seus livros tão fascinantes - os poderes mentais que algumas personagens possuem, o cenário pós-Apocalipse, tudo descrito de uma forma bastante apelativa. 
Notei mudanças consideráveis  na escrita, no sentido em que Elspeth, a personagem principal, apresenta-se agora de forma mais madura. O único ponto negativo que tenho a apontar tem a ver com o facto de a minha personagem preferida, continuar a representar um papel bastante  subjectivo. Ora estou a falar de Rushton. Gostaria de o ver a desempenhar um papel mais activo em toda a trama, acho que a historia em si apenas tinha a ganhar com isso. 
Neste segundo volume, Maruman desempenha um papel mais secundário, embora importante logo no inicio e que marcará todo o desenlace; mas desta vez é a Gahltha quem acompanha Elspeth nesta epopeia, um cavalo arrogante e autoritário que sofreu torturas inconcebíveis nas mãos dos funaga - termo pelo qual os animais designam os humanos - que tem relutância a confiar,  e que terá de enfrentar o pior dos seus medos e ter forças e coragem para resistir. 
Contudo, espero ansiosamente pelo desenlace, pois ficaram ainda muitas coisas para explicar, e existe ainda muito sobre o Tempo Primordial e os Antigos para descobrir, levando-nos a congeminar sobre os seus segredos.