quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Danças na Floresta, Juliet Marillier



"Este livro da autora é inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas. É a história de cinco irmãs intrépitas, em luta com quatro criaturas sinistras, três misteriosos presentes mágicos, dois amantes proibidos e um sapo enfeitiçado. Há muitos mistérios na floresta. Jena e as suas irmãs partilham o maior de todos, um segredo fantástico que lhes permite escapar à vida diária nos campos da Transilvânia, e que mantiveram escondido durante nove anos. Quando o seu pai adoece e tem de abandonar o seu lar na floresta durante o Inverno, Jena e a sua irmã mais velha, Tati, ficam encarregues de cuidar da casa e das outras irmãs. O surgimento de uma misteriosa jovem de casaco preto faz nascer o amor numa das irmãs e, subitamente, Jena apercebe-se que tem de lutar para salvar aqueles que lhe são mais queridos. Acompanhada por Gogu , Jena tem de enfrentar grandes perigos para preservar não só as pessoas que ama, como também a sua própria independência e a da família."


Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 332
Editor: Bertrand Editora
P.V.P.: 20,95 €


Como não podia deixar de ser, este é mais um livro de Juliet Marillier que não me desiludiu, apesar de a fasquia ser sempre elevada quando comparado com livros como o Filho das Sombras.
Adoro contos de fadas, é algo que ficou da minha infância e permanecerá comigo para sempre. E este livro, inspirado no conto "As Doze Princesas Bailarinas", fez-me viajar muitos anos atrás, até à minha infância, onde lia/via os livros/filmes, em que ficava deslumbrada com os mundos fantásticos e as criaturas encantadas, com princesas corajosas, feiticeiros, e as histórias de amor trágicas, mas com finais felizes.

Embora esteja direccionada para um público mais jovem, este é um livro que aconselho não só aos leitores que apreciam a obra de Juliet Marillier, mas a todo o público em geral, independentemente dos gostos ou da idade. Escrito com simplicidade, e mantendo o estilo de narrador na primeira pessoa, Marillier faz-nos mergulhar no enredo, que considero estar muito bem delineado, de forma tão profunda, que não conseguimos parar de ler por um instante que seja, onde rimos e choramos com as personagens que se tornam tão queridas, de tão familiares.

Obviamente que existiram personagens que me marcaram profundamente: Jena, a narradora, pela sua força apesar de todas as contrariedades às quais foi constantemente posta à prova, pela sua amabilidade pelas criaturas e o respeito pela floresta e todos os que aí habitam, neste reino e no outro, e pela sua capacidade de perdoar, por mais magoada que se sentisse; Gogu, o sapo sarcástico, caustico, e sensato, o melhor amigo de Jena, que era a única pessoa capaz de o "ouvir"; Draguta, a feiticeira da floresta, com o seu humor negro, que nos leva a indagar qual a sua verdadeira natureza, se boa ou maléfica, mas que desempenha ao longo de toda a história um papel bastante importante, embora não tenhamos essa percepção de imediato.

E a par dos contos de fadas, Marillier transporta-nos até à Transilvânia, onde nos encanta com os mitologia e lendas sobre esta região hostil e o seu povo que em sintonia com a Natureza, faz os possíveis para sobreviver.
Quero destacar também o design gráfico da capa, e contracapa onde vigora uma complexidade de figuras e cores, mas quando olhado com atenção, conseguimos percepcionar todos os principais intervenientes da história.
Espero que gostem tanto deste livro como eu gostei, e é com elevadas expectativas que empreenderei na viagem com Paula - a irmã intelectual de Jena - e o seu pai Teodor à Turquia, no livro "O Segredo de Cibele", já editado em Portugal.

Este foi o primeiro livro do meu desafio literário pessoal para este ano, e não podia começar de forma melhor!



E claro está fiz a minha própria pesquisa e aqui fica o link para o conto dos irmãos Grimm.