sábado, 4 de abril de 2009

Persuasão, Jane Austen

"É em Persuasão, o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável - Anne Elliot. Sobre ela escreveu, um dia, a autora: «Ela é quase demasiadamente boa para mim.» No entanto, naquela que é sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo reflectido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual, homem e mulher surgem como seres moralmente análogos."


Persuação foi a obra que me deu conhecer Jane Austen, até então desconhecida, excepto pelas referências a obras que foram editadas cinematograficamente. Narrado num estilo enriquecedoramente descritivo ( embora por vezes ronda o enfadonho), que demonstra os valores sociais da época, Persuasão conta a história de Anne Elliot e Frederick Wentworth, uma história de amor que se desenvolve subtilmente, e à medida que o enredo se desenrola vamo-nos deparando com outras personagens, algumas cativantes e bondosas, outras interesseiras e sem escrúpulos. Anne Elliot é uma personagem bastante interessante de analisar o seu percurso, em que embora seja perceptível que não lhe seja dado o valor merecido (ou qualquer valor sequer) pela sua família, demonstra bondade para com eles, tentando não magoar seja de que forma for as suas irmãs, e sentindo compaixão pelo seu pai. E por outro lado, embora continue irremediavelmente apaixonada pelo capitão Wentworth, a sua fiel amizade para com Louise Musgrove, não lhe permite que se intrometa no que está para lá do seu controlo.
Mas quando parecia que a história seguia um traço delineado, eis que se dá uma reviravolta proporcionando o culminar desejado da história já perto da sua conclusão.

Esta obra teve quatro adaptações, todas para a televisão:
- 1960, Reino Unido, dirigida por Campbell Logan;
- 1971, Reino Unido, dirigida por Howard Baker;
- 1995, EUA, dirigida por Roger Michell

- 2007, EUA, dirigida por Adrian Shergold.


Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 256
Editor: Editorial Presença
P.V.P. € 9,98